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Elas vieram. Alegraram ainda mais o meu dia feliz e corrido. Porque dias cheios de tarefas cumpridas me deixam muito satisfeita. Compartilhamos a comida, as risadas, um pouco de vida, de histórias. Nossas crianças brincaram. Algumas ficaram ao nosso redor praticamente o tempo todo. Nos revezamos entre sala e cozinha, entre recolher alguma bagunça de brinquedo, espiar os gritos nos quartos e cortar fatias de bolo e servir chá ou suco. Juntas, oramos. E fizemos alguns planos. E não foi feito nenhum registro. Nem foto, nem filmagem, nem desenho, nem colagem, nem poema. Um momento sublime sem registro algum. Ainda assim, registrado em algum canto das minhas lembranças. Porque alguns dias são perfeitos demais para caberem em registros. Eles não conseguem ser compactados. Eles ocupam. Muitos dos melhores momentos que vivi e, especialmente, que senti, não geraram registro algum. Com os ruins isso também aconteceu. Embora confesse que estes eu até prefiro que caiam no esquecimento. Não o esquecer de fugir, mas o de não permitir que pensamentos e lembranças ruins ocupem mais espaço que o que foi ou é bom. E sempre há tanto de bom para se guardar… melhor garantir que haja espaço para tanto, a fim de sempre me lembrar do quão maravilhoso é viver. E os muitos motivos que tenho para agradecer e me alegrar e sorrir. Talvez este texto pudesse ser uma tentativa de registro. Algum modo de aconchegar as experiências daquela tarde. De guardar aquilo que o corpo não dá conta. Aquilo que o cérebro escolheu para registrar como memória curta. Mas ele não o é. Este entrelaçar de palavras não espera registrar aquele dia, ou qualquer outro. Contudo, espera ser um lembrete do não registrável, daquilo que toca a alma com tamanha extensão, que por mais que sejam feitas tentativas de se externar com diferentes representações, nunca dá conta de abraçar em sua completude o todo daquilo que não registrei.
Sou a Cris, jornalista, revisora. Escritora desde sempre e poetisa por necessidade. Tenho livros infantis publicados desde 2014. Meu propósito é produzir literatura que auxilie e encante crianças em processo de alfabetização e recém-alfabetizadas. Atuo também como facilitadora em treinamentos e palestras. Sou apaixonada por palavras e amante de uma boa conversa e de um bom livro.

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