Um belo dia a professora diz que é para usar a caneta. E aquele velho amigo, o lápis, precisa se habituar a permanecer mais tempo no estojo. Ele, que não era o mais apaixonado por números, de repente se vê encantado com a matemática, afinal, é ali onde ele é mais bem-vindo. Redação também. Uma das suas disciplinas favoritas. Seus dias de glória teriam terminado? Não há necessidade para tanto drama… o velho grafite havia conhecido o papel muito antes da caneta. E a praticidade e a segurança em se poder usar uma borracha jamais farão dele um artigo obsoleto.

Não precisou de muito tempo para o lápis logo aprender a se apresentar disfarçado de caneta. Um baita status ter uma lapiseira. Melhor ainda se ela combinar com a caneta. Um parzinho perfeito. Alguns estojos são tão fãs de tudo combinandinho, que não é raro encontrar a borracha, o apontador e até mesmo a régua e os lápis de cor todos uniformizados. Já imaginou que luxo até o penal combinandinho? Há quem diga que combinar as cores ou temas no visual seja sinal de mau gosto ou recurso para os pouco criativos. Mas a verdade é que ali, naquele ambiente tão adequado, qualquer caneta marca-texto, apesar do toque brilhante, poderia se sentir apagada. Ou o contrário, ainda mais reluzente.

Ainda assim, o artigo dos artigos para mim é o corretivo. Seja ele à base d´água, em apresentação líquida, caneta ou fita. O máximo que pode acontecer é ter que esperar um pouco para o produto secar antes de sair corrigindo. Com ele é possível esconder ou corrigir os deslizes feitos à lápis, à caneta e até os de hidrográfica. Interessante é que ele faz tudo isso sem apagar nada. O equívoco continua ali, por debaixo, ele pode não ser visto, mas ainda está ali, servindo de lembrete, experiência, vestígio, memória. Cada pequeno erro continua ali, registrado na história daquele papel.

Hoje, já existem até corretivos coloridos, para quem opta por escrever em nuances diferentes do branco. Só é necessário cuidar que os tons sejam semelhantes, caso a intenção seja dar aquela camuflada à la camaleão no material.

Mesmo em toda as suas belas possibilidades, nada melhor que dispensar o uso do corretivo. O que não significa escrever sem erro algum. Mas poder passar à limpo. Quando uma folha toda rasurada serve de modelo para um folha nova, prontinha para ser preenchida. Ali, espera-se não ser mais necessário usar o corretivo, nem qualquer outro recurso como um traço e colocar entre parênteses. Ali, a expectativa é a de apenas, cuidadosamente, transcrever a melhor versão do que foi feito. Ali, os erros ganham outro significado. Ainda que tenham sido muitos, não precisam mais estar presentes para que sirvam de experiência. Seus vestígios não serão mais percebidos, mas os seus resultados estarão presentes.

É bom demais poder passar à limpo. Melhor ainda ter tantas folhas quantas forem desejadas. Mas quando não for possível ter tantas folhas novas à disposição, um corretivo pode ajudar muito.

Sou a Cris, jornalista, revisora. Escritora desde sempre e poetisa por necessidade. Tenho livros infantis publicados desde 2014. Meu propósito é produzir literatura que auxilie e encante crianças em processo de alfabetização e recém-alfabetizadas. Atuo também como facilitadora em treinamentos e palestras. Sou apaixonada por palavras e amante de uma boa conversa e de um bom livro.

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